terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O diálogo da Teoria com a Prática

Precisa-se de jardineiro

No campo da educação hoje encontramos uma grande separação entre teoria e prática, muitas vezes se fala de realidades completamente desconhecidas e desacreditadas na caminhada docente. Muitos são meros locutores de palavras sem vida, de fato não crêem na funcionalidade de uma educação libertadora.

...Um Jardineiro estava limpando a terra e adubando, passava os dias tratando da terra, as mãos sujas e calejadas de tanto mexer com a terra, via a sujeira e a retirava com cuidado para não ferir minhocas que estavam nela, o jardineiro entendia que a vida sempre devia ser respeitada e que ao preparar a terra para semear e gerar mais vida, deveria estar sempre cuidando com muito carinho de onde seria gerados: árvores, flores e frutos, os frutos geradores de vida, de mais vida...

Ao lado do jardim havia um palestrante que por horas discursava sobre a beleza das rosas e do perfume que elas produziam, do valor das flores e da vitalidade necessária oriunda das árvores e de seus frutos. Falava também da necessidade de se “construírem” pomares e jardins que trouxessem uma maior perspectiva de vida, saúde e beleza para todos, mas suas mãos eram lisas, limpas e delicadas, suas roupas claras e bem trajadas, seus sapatos finos de couro animal que discordava de parte do seu rebuscado vocabulário.

De repente os seus olhares se entrecruzaram e os dois pensaram que faziam à mesma coisa, ambos com a natureza e as flores se encantavam e celebravam a vida, apenas uma coisa os diferenciavam, enquanto um com teorias tratavam, o outro com sua mãos as criava ...

Sua participação com a educação pode ser tão-somente teórica ou, intensamente prática.

Ione Lobo

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dilemas na sala de aula

O educador sabe o que é estar em uma sala de aula de ensino fundamental, com 30 ou 40 alunos conversando ao mesmo tempo, brigando, discutindo, agitados e sem levar muito a sério que a real intenção do professor ali à frente é educar. Quando isso acontece o professor busca uma maneira de controlar a sala de aula e conseguir a atenção dos alunos, vamos ver algumas possibilidades de lidar com estas situações:

· Dar um grito bem alto e conseguir a atenção dos alunos com um susto nos próximos 2 minutos e depois voltar à estaca zero.


· Fazer ameaças de dar zero na prova e consequentemente estabelecerá uma relação com seus alunos de poder e submissão, evidenciando que a prova só serve para mostrar quem tem mais poder.


· Espere a frente da sala calado e com cara de mal, que eles percebam e calem-se percebendo que tem um professor na sala, correndo o risco que eles nunca percebam e você continue ali praticamente ignorado.


· Entre com eles em uma disputa de poder até que eles percebam “quem manda no pedaço”. Ou até que você perceba que acabou de colocar em discussão uma questão que deveria ser inegociável, (a autoridade do professor em sala de aula).


Se você já fez tudo isso e já se conscientizou que nada disso funciona, parabéns, isso mostra que tem experiência profissional e que está amadurecendo em sua gestão de sala de aula. Vamos agora falar do que realmente funciona:

· Se a sala gosta da bagunça, bagunce ainda mais do que eles , mas, lidere a bagunça. Prepare uma aula com jogos e desafios, divida a sala em times e permita que eles gritem, torçam e disputem o saber a ponto de aprender para vencer.


· Descubra o líder da bagunça, aquele que geralmente é visto como “o aluno problema” e todos os professores preferem ignorar a presença dele em sala e CONQUISTE-O, traga-o para o seu lado e peça para ele controlar a sala e que você confia na capacidade de liderança dele para a realização da aula (delegue poder e autonomia)


· Conquiste os seus alunos e diga a eles o quanto você acredita neles, quanto você espera se orgulhar deles. E espere o esforço que eles irão fazer para não te decepcionar.


Lembre-se: o objetivo da aula é o aprendizado, se ele não vier, tente novamente e faça uma aula diferente.


Ione Lobo

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ideologia e Educação





Todas as vezes que o processo educativo entra em cena, por trás dele sempre encontramos uma ideologia, que pode ser uma reprodução da ideologia do Estado, ou ideais religiosos, ou de opressão e dominação social, ou uma ideologia ingênua, que vise uma salvação de todos os problemas, ou ainda uma ideologia revolucionária que vá a busca de liberdade de expressão, de novas formas e descobertas, de novas leituras de mundo.



A ideologia pode ter sua face de manipulação, mas ela também tem outros rostos, outras formas. O que não existe é a neutralidade de ideais. Cada um a seu modo propõe os seus mitos, seus desejos.



O que precisamos de fato é de uma educação que possibilite os estudantes a ter consciência dos ideais e lhes dê competência para fazer escolhas e se coloque diante do saber e da sociedade como ser consciente de suas escolhas, opções e ideologias.



A Ideologia tem características de sonhos e estes são fundamentais para a vida e para o futuro.



Nossa educação deve sair da frieza da transmissão de conteúdos sem vida e passar pelo sonho de um futuro possível e cheios de sentimentos e desejos, enriquecido de idéias que se solidifique em novas práticas de uma sociedade de respeito e liberdade. De um mundo onde gente é prioridade e coisas são meros objetos de expressão.



No meu ideal de mundo, existe muito sonho e uma realidade de vida de pessoas felizes, que respeitam a vida e o criador, que amam a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo.



No meu ideal de mundo o saber não é estanque, é mutante e progressista, é compartilhado e não egoísta.



Quais são os seus ideais de vida? Qual é o seu sonho?


O que você já fez para compartilha-lo, recria-lo e torna-lo possível?



Ione Lobo



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Qual o espaço dos conteúdos na educação?


Quando se fala em novas propostas educacionais, correntes progressistas e crise na educação, a maior crítica que recebemos é que as novas propostas de educação não se preocupam com conteúdos, oferecendo assim, uma educação vazia e abstrata.

O preconceito ao novo e a falta de clareza na compreensão das correntes progressistas podem levar a conclusões erradas sobre sua concepção. Vamos fazer uma rápida discussão sobre o assunto:

Os tempos mudaram, a sociedade mudou e se faz necessário uma nova forma de educar e formar o ser social. O velho paradigma da educação considerava os alunos uma folha em branco, um recipiente vazio, o sem luz. O aluno era aquele que necessitava da informação, do saber do professor, para ter conhecimento, conteúdo.

Em plena era da telecomunicação não podemos mais conceber que nem um aluno chega em sala de aula vazio, ou que o professor sabe tudo que o aluno precisa saber. Se o papel do professor é meramente transmitir conteúdos, isto o computador, a internet faz melhor do que qualquer professor, em uma velocidade extraordinária a informação chega à nossa casa e qualquer um tem acesso a informação, independente do grau de escolaridade que ele possui. Isto significa que não só os professores detêm o conhecimento, os conteúdos, o saber.

O papel do professor neste momento deve ser re-significado, o transmissor de conteúdos perdeu o lugar para a máquina, porém, o educador cresce e surge de maneira indispensável, como aquele que fornecerá ao aluno a competência de lidar com estas informações, de discernir os conteúdos e interagir com estes, para sua prática profissional e social.

A autonomia do educando e a pesquisa passa a ser o diferencial de cada um, proporcionando um saber mais livre e personalizado, tornando necessário um teor crítico na formação deste saber, que não é transmitido, mas é construído individualmente e interagido com o coletivo, gerenciado e problematizado pelo educador.

Ser educador neste novo momento exige maturidade, criatividade, estar constantemente em formação e a responsabilidade de relacionar teoria (conteúdo) e prática, para que seja possível satisfazer as necessidades de formação deste ser social que surge no lugar do antepassado, sem luz.

Manter a crítica que as novas propostas educacionais não valorizam os conteúdos, são reflexos de uma compreensão limitada e superficial das demandas que temos dentro do desafio que é educar neste novo milênio.

Ione Lobo

O educador deve ser um incentivador de sonhos


Sonhar é uma maneira de viver o futuro...
Há algum tempo, trabalhando com jovens e adolescentes, pude perceber que muitos dos jovens de hoje não têm mais sonhos, projetos e metas para o futuro. Muitos, já não acreditam na possibilidade de um mundo melhor.
Certa feita, fiz uma enquete entre alunos do ensino médio, perguntando: Qual é o seu sonho? Muitos do sexo masculino responderam: Ter muito dinheiro, beber muita cerveja e ter muitas mulheres ou, apenas, sonhavam em sair do país. As mulheres falavam em ser modelo, ou casar com um homem rico e gastar muito dinheiro com roupas e passeios em shoppings.
Para aonde foram os idealistas da década de 60, que acreditavam em serem grandes heróis sociais, transformadores de mundo? É muito comum entre os jovens da classe média o desejo de sair do país, fico me perguntando se todos tiverem esta meta, o último que sair apagará a luz! E o que sobrará para os brasileiros?... Como já foi dito por uma canção que conheço: “o que será do futuro do nosso país?” Gostaria de incentivar os educadores, lembrando que em algum momento na vida todos nós somos educadores...
Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: Para aprender, para ensinar , para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação.[1]
Temos a missão de despertar os sonhos do interior do ser humano, do inconsciente, de influenciar pessoas para idealizarem um novo mundo, que se empreendam na construção deste novo tempo. Se os estudantes acreditassem na possibilidade de construir através de sua profissão, competência, conhecimento crítico, intuição, valores morais e caráter, uma nova realidade social, eles assumiriam uma consciência maior do valor do aprender, isso revolucionaria não somente nossas salas de aula, mas também nossa sociedade e o futuro da existência humana.
Talvez a morte dos sonhos que os iluministas pregaram, tenha deixado marcas, feridas, que se fazem necessário curar. “Quando deixamos de sonhar é porque já começamos a morrer”.
Por favor, não deixe os sonhos morrerem, não deixem as luzes se apagarem, precisamos nos unir, precisamos Sonhar, idealizar, acreditar nas possibilidades de um novo futuro de grandes mudanças e do potencial que está em nós, em nossos alunos, em nossos filhos, no nosso país, no ser humano e no poder que há em uma educação incentivadora de Sonhos.
Ione Lobo


[1] BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. Editora Brasiliense. Pág. 7.