terça-feira, 28 de fevereiro de 2012


Educar em uma visão integral
(Educando para a vida)



A educação não pode e não deve compartementalizar o ser humano, que é integral e não partes isoladas. Não se pode fazer uma educação para a mente, ela deve abranger o ser humano como um todo.
(Ione Lobo, 2006)

No principio da história da educação o pensar pedagógico era voltado para compreender melhor sua existência e ampliar uma compreensão de mundo, em busca de um viver melhor.
Com o tempo a educação foi assumindo um perfil de informação e instrução. O individuo passou a fazer uso da educação para “saber fazer”(educação mecanicista) e reprodução de conteúdos em um processo bancário (com era chamado pelo educador Paulo Freire). Na maior parte da nossa história o fazer educação estava ligado a transmitir informações de conteúdos. A escola se torna um lugar de obter informações e reproduzi-las dentro de uma proposta conteudista, que objetivava sempre preparar o individuo para o pensar acadêmico, para o mundo da escola.
Hoje destinamos um novo olhar para a educação, no início de um novo século, conhecido como: “A era do conhecimento”, não dá mais para pensar ou fazer educação dentro do velho paradigma é necessário revermos nossa prática educativa, é preciso voltar a dar ênfase a uma educação que vise compreender melhor sua existência e ampliar uma compreensão de mundo, em busca de um viver melhor. A educação deve servir ao individuo e a sociedade desenvolvendo no seu processo de ensino e aprendizagem uma característica crítica e criadora, precisamos suscita no individuo a capacidade de pensar, indagar, rever conceitos, construir novos caminhos e criar um novo rumo para nossa história. Rumo novo que paradoxalmente já era almejado pelos nossos ancestrais mais primitivo, mas que infelizmente se perdeu durante o caminhar e se faz necessário, retomar a busca por um viver melhor.
Não podemos continuar reproduzindo as mesmas idéias que hoje gera insatisfação, depressão, divisão, discriminação, preconceitos, imoralidade, autoritarismo, irresponsabilidade, descomprometimento com a verdade e com a vida.
O educador do terceiro milênio deve pensar em educação como alguém que abri portas. A nossa educação deve estar sempre oferecendo ao educando uma oportunidade criadora, sempre um ponto de partida para o novo.
As salas de aula devem abri um espaço para pensar a vida, recria-la não através de células tronco ou material genético, mais através de idéias, de sonhos, utopias de um pensar que crie uma geração de inconformados éticos e sonhadores, criadores de uma forma de viver melhor, mais justa, mais ética e mais humana.

Ione Lobo


sábado, 18 de fevereiro de 2012


O educador deve ser um incentivador de sonhos

Sonhar é uma maneira de viver o futuro...

Há algum tempo, trabalhando com jovens e adolescentes, pude perceber que muitos dos jovens de hoje não têm mais sonhos, projetos e metas para o futuro. Muitos, já não acreditam na possibilidade de um mundo melhor.
Certa feita, fiz uma enquete entre alunos do ensino médio, perguntando: Qual é o seu sonho? Muitos do sexo masculino responderam: Ter muito dinheiro, beber muita cerveja e ter muitas mulheres ou, apenas, sonhavam em sair do país. As mulheres falavam em ser modelo, ou casar com um homem rico e gastar muito dinheiro com roupas e passeios em shoppings.
Para aonde foram os idealistas da década de 60, que acreditavam em serem grandes heróis sociais, transformadores de mundo? É muito comum entre os jovens da classe média o desejo de sair do país, fico me perguntando se todos tiverem esta meta, o último que sair apagará a luz! E o que sobrará para os brasileiros?... Como já foi dito por uma canção que conheço: “o que será do futuro do nosso país?” Gostaria de incentivar os educadores, lembrando que em algum momento na vida todos nós somos educadores...

Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: Para aprender, para ensinar , para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação.[1]

Temos a missão de despertar os sonhos do interior do ser humano, do inconsciente, de influenciar pessoas para idealizarem um novo mundo, que se empreendam na construção deste novo tempo. Se os estudantes acreditassem na possibilidade de construir através de sua profissão, competência, conhecimento crítico, intuição, valores morais e caráter, uma nova realidade social, eles assumiriam uma consciência maior do valor do aprender, isso revolucionaria não somente nossas salas de aula, mas também nossa sociedade e o futuro da existência humana.
Talvez a morte dos sonhos que os iluministas pregaram, tenha deixado marcas, feridas, que se fazem necessário curar. “Quando deixamos de sonhar é porque já começamos a morrer”.
Por favor, não deixe os sonhos morrerem, não deixem as luzes se apagarem, precisamos nos unir, precisamos Sonhar, idealizar, acreditar nas possibilidades de um novo futuro de grandes mudanças e do potencial que está em nós, em nossos alunos, em nossos filhos, no nosso país, no ser humano e no poder que há em uma educação incentivadora de Sonhos.
Ione Lobo


[1] BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. Editora Brasiliense. Pág. 7.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


O mundo dos sem Educação...

Muitas vezes as pessoas questionam o lugar da educação e sua necessidade, seu valor para sociedade, imaginar uma sociedade sem educadores é uma tarefa muito difícil ou impossível. Vamos ao mundo platônico, mundo das idéias para tentar visualizar esta utopia.


...Em um lugar muito distante daqui, deixaram de existir pessoas, porque lá todos entraram em conflitos, porque não podiam se comunicar, lá cada um falava em seu próprio dialeto e ninguém queria se preocupar em aprender a língua do outro, muito menos se dar ao trabalho de ensinar. Cada um se mantinha em um mundo à parte dos outros, e lá poucas coisas se podiam fazer, pois a mão-de-obra era sempre escassa e não havia conhecimento da História.

Era tudo escuro neste lugar, pois não havia luz em todos os sentidos. A falta do passado parecia não dá perspectiva de futuro, havia medo e insegurança por toda parte. Medo do amanhã, medo do hoje, do que viria de como se sobreviveria.

A solidão na multidão. A individualidade era a única coisa que era coletiva no Mundo dos sem Educação. Ninguém respeitava ninguém, ninguém sabia o que era o amor. O Amor era desconhecido totalmente e como ninguém queria conhecer nada neste mundo, o Amor foi excluído do
 Mundo dos sem Educação. Como também foram excluídos: o Saber, o Entender, o Ensinar, o Crer e o Ser, do mesmo jeito que o Pensar, o Sonhar, o Criar... Todos os excluídos deste mundo resolveram então criar o novo mundo e em assembléia resolveram construir o mundo do Pensar no Educar, neste mundo todos têm direito a falar, a compartilhar sua opinião, a ouvir e a obrigação de respeitar. Neste mundo existe muita luz, ela foi criada por um grupo de inconformados que buscaram uma solução contra a escuridão e foi uma festa, no dia da inauguração.  Eles decidiram popularizar a luz para que neste mundo, nem um ser viva sem esta.

A vida era muito intensa no mundo do pensar, as coisas aconteciam e eram recriadas com muita freqüência. Progresso era sinônimo de novas descobertas, jamais de destruição, aliás, a destruição não morava neste mundo, morava no mundo dos sem educação.

Um dia, via satélite, chegou uma noticia de que uma grande explosão acabou por destruir o mundo dos sem educação. Houve silêncio entre todos no mundo do pensar, um minuto de reflexão, depois que as lágrimas da sensibilidade foram enxugadas, houve festa e comemoração, pois daquele dia em diante nunca mais existiria um ser no mundo dos sem educação...

Em que mundo você vive? Qual destes mundos você quer ajudar a construir?
Eu faço parte do mundo dos que acreditam no valor do educar, na importância inquestionável que há no pensar e no sonho de poder de alguma maneira contribuir para o mundo do pensar no educar.
Convido você a fazer parte do meu espaço e construir conosco um MUNDO MELHOR.
 Ione Lobo


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Inquietação:

Indisciplina ou motivação ao aprendizado?
A inquietação pode ser entendida por dois olhares diferentes:
    • Crianças indisciplinadas, rebeldes, desinteressadas...
    • Crianças curiosas, insatisfeitas e motivadas ao novo, ao aprender...
    Se tratando de crianças, as duas posturas são educáveis e promissoras, afinal, são crianças, se fazendo necessário adequar o ambiente de aprendizado que desperte no aluno o desejo, aguçar a curiosidade, mostrando que o aprender pode ser sinônimo de crescimento e assim o aprendizado se tornará sempre um momento desejável a toda criança.
    Porém, quando se trata de adultos, me refiro especificamente ao educador, a postura de quietude, de conforto ou satisfação são características altamente nocivas e preocupantes. O conformismo impede a indagação, o questionar, o que fatalmente limita o aprendizado.
    É preciso compreender que o fator motivador ao aprendizado é sempre a insatisfação. É o caos que nos leva à acomodação, é a duvida que provoca a resposta.
    - Professor, quando seus alunos forem quietos e apresentarem uma facilidade de concordar com tudo o que você diz, sem questionar ou duvidar das suas respostas, aceitar com facilidade que suas respostas são inquestionáveis e sempre responderem certas as suas perguntas exatamente como foi ensinado... CUIDADO, PREOCUPE-SE!!! É chegado a hora de mudar sua prática pedagógica. O objetivo da formação acadêmica não é trazer passividade e sim inquietude, é levar os nossos alunos a pensar e não a conformidade.
    É importante redefinir a educação e romper com o adestramento pedagógico, afinal de contas, somos seres humanos, animais pensantes, não burros irracionais.
    Não ofenda o criador desprezando a capacidade singular que temos de pensar. Vamos em busca de uma educação inquietante e produtiva...
    Ione Lobo