sábado, 7 de abril de 2012

O Belo do aprender


O Belo do aprender

A criança nos seus primeiros anos de vida descobre o mundo a sua volta, vai conseguindo fazer a separação de onde começa e termina a extensão do seu próprio ser. A separação da mãe é uma experiência traumática, porém libertadora é a partir daí que ela se torna um  sujeito.

A vida humana é um belo e fascinante mistério que muitos pesquisadores se preocuparam em desvendar, porém ainda estamos muito longe desta descoberta.

O aprendizado do ser humano foi alvo da pesquisa do biólogo Jean Piaget, que em seus estudos deduz que o raciocino não acontece dentro da nossa cabeça isoladamente, mas que o pensar é fruto de uma interação das estruturas cognitivas, com a relação estabelecida entre o individuo com o meio, os sentidos (tato, audição, olfato, visão, gustação) são responsáveis de captar informações do meio e transforma-las em novas estruturas, o que chamamos de saber.

É este saber que se codifica em informações e construções que representa a visão que temos do mundo e de nós mesmos. A vida nos proporciona a capacidade de lermos o mundo e a nós mesmo de maneiras diferentes e mutantes...

O educador Paulo Freire chama a atenção para a existência de muitos tipos e níveis de leitura. A leitura está intrinsecamente ligada com nossa visão de mundo, com a forma que nos relacionamos com as questões sociais, matérias, morais.

Um cidadão urbano terá uma leitura de mundo diferente de um cidadão do campo. Leituras de mundo diferentes, porém de igual valor, cada uma dentro do seu contexto de vida.

A escola deve desenvolver a cada dia uma construção em seus alunos em aprender a fazer leituras de textos, de contextos, de mundo, da história e se possível, abrir possibilidades para novas construções de textos, de contextos sociais, de mundo e de história. A escola deve entender que sua função não está restrita a conteúdos acadêmicos, mas também, na formação integral de pessoas, leitoras, letradas e conscientes de seu papel social.

Ensinar a ler é uma das maiores responsabilidades que a escola tem na formação de indivíduos, porém, acreditamos que esta tarefa deve ser ampliada para todos os níveis de leitura.

Por muito tempo na história a escola desenvolveu e praticou uma pedagogia de castrações e imposições, aprender era sinônimo de reproduzir as mesmas idéias e desenvolver as mesmas práticas determinadas pelo grupo que representava o poder social, político e econômico. Assim foi no período da idade media dominado pela igreja católica (escolástica), na ditadura, dominação pelos militares, políticos (golpe de 64) e hoje vivemos um período em transição no campo da educação.

Muitas novas propostas educacionais surgiram desmistificando a educação como aparelho ideológico do Estado e abrindo oportunidades para o desenvolver de visões críticas, que possibilitam novas leituras no aprendizado e do mundo a nossa volta.

O que diagnosticamos como progresso e novas possibilidades rumo a uma sociedade mais igualitária, mais ética e mais humana. Resta-nos avançar da teoria já tão propagada e reescrita a práticas libertadoras e Revolucionárias que resulte nesta sociedade que ainda é uma utopia, idealizada, sonhada e aguardada por todos nós.
Ione Lobo

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