O
Belo do aprender
A
criança nos seus primeiros anos de vida descobre o mundo a sua volta, vai
conseguindo fazer a separação de onde começa e termina a extensão do seu
próprio ser. A separação da mãe é uma experiência traumática, porém libertadora
é a partir daí que ela se torna um
sujeito.
A
vida humana é um belo e fascinante mistério que muitos pesquisadores se
preocuparam em desvendar, porém ainda estamos muito longe desta descoberta.
O
aprendizado do ser humano foi alvo da pesquisa do biólogo Jean Piaget, que em
seus estudos deduz que o raciocino não acontece dentro da nossa cabeça
isoladamente, mas que o pensar é fruto de uma interação das estruturas
cognitivas, com a relação estabelecida entre o individuo com o meio, os
sentidos (tato, audição, olfato, visão, gustação) são responsáveis de captar
informações do meio e transforma-las em novas estruturas, o que chamamos de
saber.
É
este saber que se codifica em informações e construções que representa a visão
que temos do mundo e de nós mesmos. A vida nos proporciona a capacidade de
lermos o mundo e a nós mesmo de maneiras diferentes e mutantes...
O educador Paulo Freire chama a atenção para a
existência de muitos tipos e níveis de leitura. A leitura está intrinsecamente
ligada com nossa visão de mundo, com a forma que nos relacionamos com as
questões sociais, matérias, morais.
Um cidadão urbano terá uma leitura de mundo
diferente de um cidadão do campo. Leituras de mundo diferentes, porém de igual valor, cada uma
dentro do seu contexto de vida.
A escola deve desenvolver a cada dia uma construção
em seus alunos em aprender a fazer leituras de textos, de contextos, de mundo,
da história e se possível, abrir possibilidades para novas construções de
textos, de contextos sociais, de mundo e de história. A escola deve entender
que sua função não está restrita a conteúdos acadêmicos, mas também, na
formação integral de pessoas, leitoras, letradas e conscientes de seu papel
social.
Ensinar a ler é uma das maiores responsabilidades
que a escola tem na formação de indivíduos, porém, acreditamos que esta tarefa
deve ser ampliada para todos os níveis de leitura.
Por muito tempo na história a escola desenvolveu e
praticou uma pedagogia de castrações e imposições, aprender era sinônimo de
reproduzir as mesmas idéias e desenvolver as mesmas práticas determinadas pelo
grupo que representava o poder social, político e econômico. Assim foi no
período da idade media dominado pela igreja católica (escolástica), na
ditadura, dominação pelos militares, políticos (golpe de 64) e hoje vivemos um
período em transição no campo da educação.
Muitas novas propostas educacionais surgiram
desmistificando a educação como aparelho ideológico do Estado e abrindo
oportunidades para o desenvolver de visões críticas, que possibilitam novas
leituras no aprendizado e do mundo a nossa volta.
O que diagnosticamos como progresso e novas
possibilidades rumo a uma sociedade mais igualitária, mais ética e mais humana.
Resta-nos avançar da teoria já tão propagada e reescrita a práticas libertadoras
e Revolucionárias que resulte nesta sociedade que ainda é uma utopia,
idealizada, sonhada e aguardada por todos nós.
Ione Lobo
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